- Isso, deixe-o aí e fica sem ele!
Ele: o telemóvel bumerangue, vai na volta,
- Logo o entregavam...
II
Há oito meses,
Cinco da tarde em Santiago, um calor de rachar saia, e eu mortinho para ir a banhos,
- Doutor, tenho um corpo, fez e aconteceu, em fim: suicidou-se., Pode vir, amanhã, a Beja, autopsiá-lo?
- Estou a setenta quilómetros, Fátima, e amanhã não posso...
Caso de vida ou de morte, por vezes falta o bom senso aos vivos,
- Venha!
Nem fiz as malas: tenho-a, com máquina fotográfica própria, em casa, longe dos miúdos, porque quem vê caras vê corações,
À falta da câmara, o telemóvel serviu: é a velha tradição desenrasca servilusa, até para a morte há remédio,
Daí as fotografias, entremeadas com gente que não conheceu,
Se o surripiasse, o tratante tratava de o entregar à polícia,
- Achei...
Achou que, e achou muito bem, antes que o entregassem, a ele, mais o telemóvel,
Já vejo carros da polícia a barricar o prédio e snipers nos telhados do liceu,
- Este telemóvel é seu?...
Se fui eu, sim, e o Estado até me paga para isso, se sei onde o deixei, sim,
E se não soubesse, entregavam-no na polícia!
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