quinta-feira, 21 de junho de 2018 0 comentários

Cena # 1795 - Haja Esperança.




Da colega Maria Costa.

- Pode arranjar-se Dª Cotovia, tirar a roupa da cinta para baixo.
Enquanto isso, de costas, preparava o material. Viro-me e a Dona Cotovia está sentada de marquesa e com cuecas.
- Oh Dona Cotovia, tem mesmo de tirar tudo, ou não consigo fazer o papaniculau......
- Assim consegue, consegue!: já vim toda preparada!

Eftivamente, mesmo com as cuecas, dava para enfiar o espéculo no meio... 



#mulherprevenidavaleporduas
#moderníssima
 




Foto de Maria Costa.



 
#cuecacomportaodeestacionamento
#cuecasprontasparaaaçao
#naodeveajudarmuitoquandoaflorafordensa(naohaquemvençaaforçadanatureza)
 
quarta-feira, 20 de junho de 2018 0 comentários

Cena # 1794 - Escravos em Nós...




O Papalagui:

Inventa máquinas de lavar e perde o tempo a lavar a roupa suja,
Projeta carros que dão trezentos e trezentos euros de multa,
Cria androides. Queria não fazer nada.,

Cria, para poupar tempo, mas tempo é coisa que o homem branco não tem...
Mais e mais, somamos coisas: somos escravos, reféns de coisas.




Sou burro, estou do lado de lá: tomei as dores de Singer e do cavalo, abraçado por Nietzsche,

Hoje, no consultório:
A Arminda é ordenhadora, ordenadora de nada,
Vão-se os sábados e os domingos, as férias: os bichos não tiram,
- Sou uma escrava dos animais...

Nunca tinha pensado nisto,
Sou burro, moro do lado de cá, (no) bem-bom: viver à mama não é o que parece.

Não, Rousseau: o homem nasceu para ser escravo.




segunda-feira, 18 de junho de 2018 0 comentários

Cena # 1793 - Apá Miga, Abe Já a Boca !




Hoje uma história de ontem, no consultório,

O Vítorr é pescadorre.,
Entrou no consultório, aliviado da tripa,
Explico: tirando as utilidades que metem dentro, não é suposto aparecerem coisas estranhas no intestino...,

Perdeu peso e perdeu cor, sei de cor,
- E sangue nas fezes, Vítor..., Vermelho ou preto?!
- Negrre come carrvão!

Foi à faca: manda quem pode e o homem da faca não teve contemplações,
- Mostra lá isso!

- Doutorr, tá a verre o peche assade?!
Abriu a camisa, e nem precisava de apontar,
-  Fodassse!: fue tode escalade!!







 
domingo, 17 de junho de 2018 0 comentários

Cena # 1792 - Mais Uma Vez o Advogado Roubou o Cliente ao Médico!



Consulta de toxicodependência.

Aguardava eu a chegada do doente, quando recebo o telefonema da mãe,
- Srª Doutora, é para lhe dizer que o meu filho não pode ir à consulta,
- Então, o que aconteceu?
- Olhe, encontraram-no com uma arma na mão...
- Uma arma na mão?????
- Parece que estava   a assaltar uma bomba de gasolina...

E durante algum tempo, longo tempo, não regressou à consulta...



 
sábado, 16 de junho de 2018 2 comentários

Cena # 1791 - Adeus, Ronald.



Começo pelo princípio, ainda o Ronald não era nascido : o (irmão) Johnny nasceu sem o juízo todo. De resto, como todos nós, nós os que o(s) julgamos...


Eu tratava o Johnny. Há muitos anos, quando a gente lia o Expresso e enchia a Praça do Bocage, parei para o café e para a leitura na esplanada. Não havia essa coisa dos telemóveis: as pessoas falavam e falavam-se, olhavam a Praça em redor e os putos atrás das bolhas de sabão. Bem sentado, e ainda bem, passa o Johnny, que falava assim alto,
- Doutor, tens de me ver o cu!
- Está bem, Johnny... - baixei o tom, na esperança que (não) ficasse por ali.
- TENS DE ME VER O CU!, ESTOU À RASCA DO CU.  QUANDO É QUE PODES IR AO CU?! ?!
À rasca. À rasca fiquei eu: porque sou maluco e ligo a quem está presente e não está na vida do Johnny.


O Ronald era maluco. Era como eu, daqueles que escapam ao internamento.
Podia contar muitas histórias do Ronald: quando numa noite agitada de dezembro ele é os amigos(,) bêbedos e com mais juízo do que o comum, partiram de barco para o Seagull e as costelas, lixados pelas rochas e pelos mexilhões que se lixaram para a cadela, e chegaram ao cão que os mordeu torto e a direito, a direito ao São Bernardo. Ou quando embebedar am a macaca de uma delas, daquelas de quatro patas e está, mais maluca que as outras e eles, lhes arrancou bocados da cara.

À terceira é de vez, acordou com o médico e no hospital, para o transplante hepático. Desde então, não mais bebeu.


Sim, porque o Ronald era maluco, daqueles que escapam ao internamento: mas cuidou do irmão como poucos e sempre que estava doente, telefonava-me de imediato para o ver.

Os outros, Ronald, é que são os bons: batem com os cotados na missa e cagar-se no Irmão.

Descansa, amigo. Eu cuido dele.




















 
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