sexta-feira, 1 de maio de 2015

Cena # 530 - A Cabeça das Galinhas.

Era a Fátima,
- Queres ouvir?

A Fátima dois, empregada ao lado, bateu à tua procura, com o mata-piolhos a espipar sangue,
Cortou-se na garrafa do tintol, se não fizesse efeito ainda estava na garrafa,

Não estava: desenrascaram-se, ou antes, enredaram-se,
Uma ideia, outra invenção, umas compressas e o adesivo,
- Olha além..., Fio de sutura!,
Às voltas, garrotaram a base do polegar,

Deve ficar bem!, uma das premissas em que assenta o desenrasca luso: se Deus quiser, não há de acontecer nada...

Cheguei tarde, o dedo garotado que não pingava, mudou para cor púrpura,
- Deve ter absorvido algum do vinho, doutor!...
- Porque não foi ao hospital, Fátima?!
- Nem morta,

Escusava de lá ir: esperou-me, mais três pontos a meu favor,
- Para a próxima, ponha o dedo à boleia: fixe, e não lhe dê mais corda!


A ideia surgiu da cabeça das galinhas,
- A gente corta-lhes o pescoço. E se não lhes enrola o cordel, não param de sangrar!

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