Primeiro separaram-me em vida, depois separaram-me dela,
Em casório e mortório, sempre há falatório.
A Aurorinha foi minha professora primária, ao tempo em que íamos à pata para a Academia, chutando o que desaparecia, a fisga escondida entre os arbustos do Montalvão,
A Aurora foi a primeira doente do meu pai,
Passou-se para mim, já esteve mais orientada,
- O melhor aluno que me passou pelas mãos!,
E outras mentiras,
Quando me mataram, virou uma pilha de nervos, descarregou baterias e foi abaixo, à peta, até à clínica,
Ausente, a caminho do outro lado, Beja,
Chorou na pastelaria, a amiga Estrela teve uma ideia,
Brilhante: telefonaram para o S. Bernardo,
- Entrou vivo ou, já, morto?
Montou guarda à morgue, ligassem para Beja,
- Entrou vivo e a cantar, os outros, infelizmente, não...
Está mais calma desde que apareci, quem é vivo sempre desaparece,
- Foi o único que, na primeira classe, somava mais subtraía os lápis dos outros e trabalhava com números negativos!, Nunca vi nada assim...
Eu já, Aurorinha, no multibanco,
- Contava, passando a língua pelos dentes...
As coisas que a gente sabe,
Um dia,
- Vá de dar à língua e a conta não saía!, O que se passa, Jorge?!
- Acho que me caiu um dente...
Aurorinha,
Não desse com a língua nos dentes, não sabia,
Obrigado por tudo.
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