Tirámos o fim de semana e o Algarve para nós,
À porta, duas malas entreabertas, a grande para ela, e a outra mais pequena, também,
- Está aí tudo, dois polos e a roupa interior, vê se metes as coisas da barba...
Mulher é assim: roupa simples
- Para a praia...
Camisas,
- Para o fim de tarde...,
Sofisticada, salto alto
- Se formos a algum lado!
Perfume para o dia, para a noite e para meia estação.
E também é assim,
- Já decidi tudo!,
Entregas o Simão à Lena, o Vasco vai com a Fátima., Apanhas o Simão na sala e evitas a sala do Vasco, fica sentido e não faz sentido, por fim
Esquivas-te, telefonas à Fátima e ela vai buscá-lo: tudo na paz do Senhor...
Mas o Senhor tem caminhos...
Com o Simão às cavalitas, segui pelo passeio. As crianças brincavam no recreio, algumas junto à vedação. Porquê, não sei, olhei para trás: o Vasco petrificou agarrado ao arame, um silêncio infinito numa tonelada de abandono. As lágrimas corriam...
Muitas noites na urgência, facadas de raiva e de amor cravadas no peito, assisti a querelas entre ucranianos, com copos, dívidas e pauladas com traumatismos ucranianos às misturas, esta doeu mais!,
Perdi-me por uns segundos e caminhei na sua direção,
- O papá vai só meter a mala do Simão no carro., Uma coisa de cada vez, amor...
Reentrei na escola, chorava eu mais do que ele,
O Vasco correu para mim, de braços abertos,
- Papá, pensei que te ias embora sem mim..., Esquecias-me?!
- Nunca, amor!., Não chores, vou estar sempre ao pé de ti...
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