sexta-feira, 10 de abril de 2015

Cena # 516 - O Morto-Vivo.

- Boa tarde, daqui fala o morto que vende saúde!,
E que ganha a vida com a dos outros,

É verdade: tive um dia de cachorro sem comer, mortinho por chegar a casa,
- Morreste?
- Quase...
A sério,
- Corre pela cidade que te finaste!

Contas à vida, mais de cem telefonemas, desconhecia estar vivo para tanta gente.

Julgava a coisa enterrada, o Saraiva ligou-me às onze da noite,
- Descansa, amigo, continuo a prescrever-te o smartie para dormir!


Sou um miúdo,
A brincar, a brincar,
- Sabes da outra?,

A irmazinha finou-se: à sua espera desesperava São Pedro entre portões, um azul-celeste, outro, vermelhão,
Desconhecendo ao que ia, o barbudo inteirou-a,
- Eis as Portas do Céu, irmã!, Além, bem, acolá, mora o Rabudo...

Por momentos, os sinos foram interrompidos pelo irritante som do berbequim, que quase perfurava os tímpanos,
- O que é isto, Pedro?,
São,
- Pregos!, Não te assustes, irmã..., Um furo na cabeça da alminha anterior, para a auréola...
Mais dois furos,
- Nas costas..., Para as asinhas...

Tergiversou, atraída pelo portão vermelho,
- Sabes, irmã?, Dizem que o diabo viola as mulheres que para lá vão...
- Ora, assim como sim, já os buracos estão feitos!

Estou feito, acho graça a tudo.
Se morresse, não achava...

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