quarta-feira, 4 de março de 2015

Cena # 495 - Polícias e Ladrões.

(...) E indo depois o Cardeal a Napoles com certa diligencia do Summo Pontifice, teve um achaque,  sobre que se fez junta de Medicos, e entre eles veyo o ferrador por mais afamado: conheceo-o o Cardeal, chamou-o de parte, e perguntou-lhe, quem o fizera medico. Respondeo, que só mudára de fortuna, e naõ de officio; porque do mesmo modo, que curava em Roma as bestas, curava em Napoles os homens (...)
                             Arte de Furtar, Padre Manuel da Costa?, Padre Antonio Vieyra?


Começo pelo fim: um mundo sem ladrões era-o sem governo,
Não me reconheço autoridade, mas a ideia tem pernas para andar: estaco à porta do cemitério, a rapaziada pedincha o dinheiro do papo-seco enquanto distribuo cartões aos mortais que abandonam,
- Se conhecia o Horácio!..., Deixa saudades..., Está em baixo, porque não passa pelo consultório?!
Fazer pela vida. É isso: a caça à malta,


Não acreditei,
- Sabes que a bófia aguarda a malta saída dos bares, a soprar, para o balão?!
Embófia de rapazes investidos de fardeta, a querer mostrar serviço...
- Não tarda, deixam o portátil no banco da avenida como isco, enquanto sorvem a bica...

Sexta à noite,
Eram onze quando abandonei o Dez, para o carro estacionado à frente,
Vi o carro-patrulha parado na rotunda, três minutos depois, sirenes ligadas, coladas no retrovisor,
- Os documentos, por favor..., Bebeu alguma coisa?
- Sim..., Diga-me: cometi alguma infração?!
- Não., Vinho, cerveja...
- Nada!

Confesso: -me uma merda de homem, nunca apanhei uma perua, embebedasse a comida e cacarejava pachochada, nunca fui a uma casa de meninas, o que não perdi,
- Nada, como?!

Devia ficar, mas não se deu por satisfeito,
O sorriso mangão eclipsou-se no triplo zero do teste do balão...
- 0.00, vamos lá repetir...
Vamos e era capaz de se arranjar qualquer coisa.

Vai em seis zeros, um num milhão, é ficar por ali ou esgota o stock, e o Entendente pensa que safou um amigo,
A velha operação STEP: três passos e faz o diabo o quatro, deu lugar à emboscada,
- Devem ter enfiado um melão!...- riu o Nuno.

Tal e qual. Eram dois, a cada um o seu.



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