sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019 0 comentários

Cena # 2009 - A Letra dos Médicos.


,Que se percebe muito bem: passou no teste, na consulta de Oftalmologia. O colega observou,

           F O D E  Bem

A quarentona está para curvas,
Fundo do Olho Direito e Esquerdo: BEM.

Ainda bem.





quinta-feira, 31 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2008 - Demo-nos Por Felizes Por Não Termos Acabado (assim)...


Que cena!: escolheu ela o papel e a novela: a seguir,

Consulta de Planeamento Familiar.
- Doutor, estou com um corrimento,
Mexe e remexe, o meu marido também se queixa,
- Mas sei como isto aconteceu, aconteceu que fomos à discoteca e corri para a casa de banho e olhe,
Estou a olhar: olha-me esta,
- Como não havia papel higiénico, não é higiénico eu sei, escolhi entre os papeluchos que boiavam no chão, o que me (a)pareceu mais limpinho...

- Jesus Cristo!! - será ele o pai da criança, desabafou o marido - morreu Ele para isto...

Há pessoas que a única cultura é a bacteriana: depois disto, a história do saco plástico virado preservativo, não (me) choca,
São os três erres, lavados à letra: a discoteca reduziu o papel higiénico, a senhora reutilizou e, quem sabe, uma outra o recicla...

São milhões de anos de evolução, de avanços e recucucuos, Darwin estava certo: não fosse isto e esta espécie multiplicava-se e comiam-se uns aos outros.,
Demo-nos por felizes não termos acabado.










quarta-feira, 30 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2007 - Saudades Tuas, Paulo.


Diz-que-diz que, o Paulo era um prato, babado nas iscas do Honório e no fiel-amigo,
Amigos e punhetas, o bacalhau melhor que as gajas,
- Sem espinhas!
Lembro-te vezes de menos, o sorriso com que te despediste,
- Adeus, mano.
O teu humor, sacarificado e refinado:


A minha cunhada trabalhava no LNEC, paredes a meias e colete de forças com o Júlio de Matos,
- É de loucos! - queixava-se,

E do meu irmão, a sair anedota,
Era uma vez...
...A excursão de japoneses parou à frente do edifício, austero e majestoso,
- Isto é enorme!, Quantos funcionários trabalham aqui?!
O guia esclareceu:
- Mais coisa menos coisa, qualquer coisa como
- Uns dez por cento...


Lembro-te as partidas,
E a última, desta pregaste-a boa, há muito que te escondes e nos espreitas,
Diz-que-diz que morreste, pode lá ser. Diz-me onde estás, Paulo,

Foi só mais uma partida, não foi (?): a mãe acredita que sim,
Não esqueço,
- Não me vais deixar morrer...

Pois não.











terça-feira, 29 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2006 - Se Não se Pode Acreditar nos Médicos Hão de Servir Para alguma Coisa.


Reza a coisa que o Santos foi ao médico. Com o cu apertado, não lhe cabia a palhinha:

Problemas da coisa não tem, já da próstata,
- Senhor Santos..., tenho de lhe meter o dedo...
- Meta lá os dois, doutor.
- Os dois?!
- Sim, gosto sempre de ouvir uma segunda opinião...








segunda-feira, 28 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2005 - O Cúmulo da Bur(r)ocracia.



Parece estúpido: porque é estúpido.
Recordam, em miúdos, debitávamos o cúmulo da organização, cagar a sopa de letras por ordem alfabética, o do arrepio,
Arrepio caminho: o da burocracia,



O Vítor está de baixa, lixou a mão direita; pego no Rx e a coisa está feia,
Artrose da radiocárpica, fraturou e não ligou o rádio,

Ou, como também me engano: está bem melhor do que era suposto, a guilhotina amputou-lhe a mão direita...
Fiz curto-circuito,
- Lembro-me bem., Fui eu que o transportei a S. José, com a mão em gelo, no saco de plástico!

E não sabe da missa metade, doutor, Como vai descalçar a bota, não sei
- Peguei-me com o administrativo, tive de lhe dar um pero com a que tinha à mão: enfiado na casota, insistia que tinha de assinar!!

Ou de ambulância não sai, saiu-se ele.







domingo, 27 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2004 - O Inventor de Setúbal.


Ao finado Finura.,
O inventor de Setúbal: se não foi ele, deu a ideia,


- Você é bruxo...,
Fosse, eu: bruxo!, acertava nos números do totoloto,
- Doutor, obrigado., Aceite...

Lembro-me dele, barbado de fato-macaco e de lenço na lapela, a cachimbar enquanto pedalava a pasteleira,
tal e qual como no cartão que me deixou,

      Francisco Augusto da Silva Finura.
                          O Finura,


Professor de Hipnose, Telepatia, Retenção Memorial, Psicanálise, Magnetismo e Fascinação.
Correspondente da Escola Azteca de Psicologia e Magnetismo.
Ilusionista.
Inventor.
Erudito investigador.
Arqueólogo.
Mergulhador profissional.
Marinheiro de longo curso.
Homem-rã.
Escafandrista.
Numismata.
Polidor de metais.
Cromador.
Afinador de bicicletas.
Recauchutador.
Vulcanizador.
Torneiro.
Bate-chapa.
Mecânico.
Eletricista:
Operário especializado em trabalhos não especializados.

Professor de natação.
Remo.
Vela.
Ski.
Ciclista.
Judoca.
Lutador.
Boxeur.
Toureiro,
Dador de sangue no Hospital Distrital de Setúbal.

Cozinheiro.
Industrial de Conservas e Conserveiro.
Faquir.
Artista de variedades.
Rei do Carnaval de Setúbal, 1968-1969-1970.
Astro internacional de cinema.

O meu tio Agostinho conhecia-o: a nadar, encontravam-se, em Troia, do outro lado do rio.
- Ator: lembro-me dele,
Por breves segundos, num filme rodado em Setúbal, nos anos cinquenta,
- Aparecia mesmo em primeiro plano, de frente para o ator principal: levou um murro nos queixos e desapareceu no chão...

Tudo tem solução. Disso, o Finura era a prova provada,
Uma vez,
O Gordo, o avô deixou-lhe em herança um baú, pesado de alguma coisa. Ou de coisa alguma...,
Combinou dois contos com o Finura, no Clube Naval, para lhe abrir a maleta: trocadas meia dúzia de chaves, bastaram três minutos ao Finura para abrir o cofre,
- Dois contos?, Dois contos por três minutos?!

- Mas está aberto!, Achas muito?!
Retirou a chave e atirou-a para o meio da doca,
- Se achas muito, falo* de borla: espeta os óculos e enfia-te no limo!











sábado, 26 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2003 - Mais Cego É aquele que não quer Ver.



Chamem-lhe paraparvo... 





quinta-feira, 24 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2002 - Conversa de Amigas, à Mesa do Café,


,sobre o pénis do outro:
- É muito educado: assim que me vê levanta-se logo!!














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Cena # 2001 - Emprenhar pelos Ouvidos.



- Dassssssse!! - exclamou o Hélder. 

Toda a gente foge dos médicos legistas. Não é o caso: dá-se o caso de a televisão do café estar no modo zoom... 
No modo alargado:
DOIS MORTOS EM FUGA DE GÁS 




A gente vê o que quer ver. Quem sabe por isso, ninguém autópsia o Raul do Duo Ouro, o tal que cantava, Quero levar-te comigo, quero levar-te comigo... 


quarta-feira, 23 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 2000 - O Esquentamento.


O Portinho é uma praia de areia fina e águas paradas, de um verde tão transparente que, deixa, do cimo da serra, perceber-lhe o fundo branco. A vegetação luxuriante da parte baixa da serra contrasta com a nudez dos cumes.
Jantei com o meu pai num restaurante de praia, o murmúrio das ondas que se quebravam, doces, no areal, o reflexo da lua de agosto na água, os barcos, em sombras foscas, amarrados a poucos metros.
Lembrou a faculdade e a Maria José, dona da pensão...

A viagem de comboio foi longa, o meu avô acompanhou-o. Sentado na sua frente e sem intimidade, fingiu o sono e espreitou a paisagem fugindo. Evitaram os taxistas, amontoados à saída da estação, o meu avô confiou ao bedel a escolha do quarto. Este olhou-os, o velho de rosto austero e o imberbe, ingénuo, e concluiu inteligentemente que era escusado conduzi-los à rua da Matemática e a qualquer República. Apontou a vitrina onde muitos anúncios ofereciam quartos, aconselhou o que ficava mais perto.

Em Coimbra, a verdadeira cidade dos estudantes era pequena: a Ferreira Borges e o Nicola, o Moçambique junto à Associação, dois cinemas e os jogos da Briosa no Calhabé, a universidade. De resto, o Choupal, os Penedos, da Saudade e da Meditação, serviam os turistas e os namorados.
Comprou capa e batina, regateada ao Jorge que tinha a lojeca colada à igreja de Santa Cruz; o Jorge, meio gordo e efeminado era um usurário competente, comprava tudo o que fosse vendível a estudante ou futrica.

O Jardim da Manga era uma pastelaria sita na baixa onde, duas ou três vezes por semana, as comissões dos vários cursos, promoviam bailaricos para angariar o pilim.

Apreciava-as todas e constatou que eram diferentes da namorada. Não esquecera a obrigação moral de casar e reconhecia-a exclusiva e discreta, não lhe alimentava ciúmes, mas estava longe e já não a desejava com o ardor de outrora...
Escrevia-lhe menos a desculpar-se no estudo; as outras interessavam-no de momento, desde a dona da pensão, quarentona mas de carnes cuidadas e que se enciumava por cada baile, às jovens com quem dançava e que procuravam namora-lo.

Deixou de ser caloiro estrangeiro, usava, agora, pasta com o grelo de quartanista. Integrou a praxe e as troupes, procurava caloiros distraídos do toque da cabra, para o rapanço. Assistiu às serenatas, as lâmpadas, dos candeeiros em redor, quebradas, para a voz surgir mais límpida na escuridão, ceou, madrugada alta, paios e manjares beirões enquanto discutiam as coxas e as mamas no casamento.


Contudo, na maior parte das noites, passava-as, no quarto, a estudar... Quando a casa se silenciava, dedilhava as paredes e subia ao primeiro andar. A patroa abria-lhe a porta, mal ouvia o ranger dos degraus e enfiava-se na sua cama: o marido só pernoitava ao fim de semana e a fogosa Maria José precisava de se aquecer em sangue jovem...


Aprovado no prático, a oral da última cadeira era uma mera formalidade, o meu pai preparou-se: a dona da pensão deu uns cortes nas costuras e na batina para que não doesse quando lhe arrancassem as roupas.

O padrinho da cerimónia retirou-lhe a pasta e a capa e, nu, os amigos flagelavam-no, agitando as mãos com pastas coloridas e gritando louvores, os retardatários aproveitaram mais umas nalgadas...

O senhor Domingos, dono da pensão, não estranhou a mulher, o abraço apertado  e os beijos de felicitações. A sua pensão tinha uma grande vantagem face às Repúblicas - dizia à boca cheia - onde não se estudava o suficiente e se passava o dia refastelado, recuperando das noites mal passadas com as prostitutas; e afirmava, convicto, era vê-las, a sair para o pequeno-almoço, depois de terem satisfeito o apetite voraz dos estudantes! Ali, não, a esposa possuía a excelente virtude de os tratar como pessoas da família...

Chegara dois dias antes, oito dias para gozar umas merecidas férias, explicou. A verdade: viera tratar-se duma blenorragia, contraída em Miranda do Corvo, onde trabalhava. Desconhecendo-o, contagiou a mulher no fim de semana anterior e o velho, por arrasto... Perdoou ao senhor Domingos a gonorreia involuntária mas não esqueceu a Maria José, que o acusara de ser a fonte do misterioso contágio.
Descobriu, por mero acaso, quando o corno foi às compras e lá se enfiou mais uma vez, o bacio tingido de azul dos comprimidos de azul de metileno, cuja ineficácia o trouxera a casa.

Por esses dias, as refeições eram uma tortura, ele, cabisbaixo esquivando-se aos olhares da amante, ela, angustiada pela partida.

- Doutor, bebe vinho, como de costume?
- Bebo, bebo, senhor Domingos... - e quase se engasgava com a comida.

Espreitava a janela e via-os chegar do hospital, onde apanhavam a penicilina; só depois, saía para a levar.

- Estou cansado dos estudos, vou beber um café... - justificava a saída.
O  senhor Domingos não desconfiou que, todos os dias, só ia ao café quando chegavam, raios o partam mais o álcool, tão difícil fora a cura, a beber vinho a todas as refeições!














terça-feira, 22 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 1999 - Histórias da Bíblia.


Ao princípio é muito bonito, depois é que são elas: fossem boas e Deus tinha arranjado uma para ele.

Está o ranhoso bem arranjado. Como o caracol, arrasta-se para pagar a conta e leva a casa às costas. Pior: o caracol tem o sexo bem resolvido.


Sábado foi dia de arrumar a casa e as ideias. Tenho livros a mais, o Tomás apanhou a Bíblia na sala com revistas pornográficas no interior. Por Graça, como fazíamos em miúdos, sem intermete.

- Pai!, Apanhei-te!: tu luas a Bíblia???
- Não, eu metia as revistas porno dentro dos livros.


Como o Outro.,
Deus está em todo o lado, a Gina também. Mas ninguém os vê.






domingo, 20 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 1998 - Crónica do Mundo Filho da Puta.


Quando cheguei à Praça, pouco faltava para as oito, o Pitágoras e o rafeiro espreitavam a porta do café,
- Compra-me uma sandes de fiambre?
Não fico mais pobre, pelo contrário,
- Entra!
- Não posso...
Barbudo e escanifrado, o café é para os clientes: os animais não entram.

- Da sandes, come metade, o resto vai para o lixo.- avisou a empregada - Tivesse fome, e comia pão com dentes!
Curvou-se, reconhecido, e sentou-se na calçada, ao lado do cão, rodeados de pombos,
O fiambre, tirou-o para o rafeiro, o pão, meou com os pombos: estômago mirrado aguenta fome, demorou a desabituar,

Passou por mim,
- Obrigado, senhor.
Obrigado, eu.,
Barbudo e escanzelado é, pelo menos, e pelo mais, educado do que a sabida, que não sabe da vida. Nem da pastelaria: não embrulhou a sandes,

Não era para mim. Mas era por mim: não percebeu.






sábado, 19 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 1997 - O Estado Velho. (Publicada na Setúbal Revista, na edição de outubro de 2017)


Chegam à mesa histórias da infância: e a minha mãe, não se pode dar trela...



O núcleo familiar era constituído por sete elementos: os meus pais, eu e os meus irmãos, Paulo e Paula, e dois adotados de raça branca, que os tempos não eram para grandes misturas,

O Riquinho e a Pituxa, nomes originais, um casal de caniches com origem na mais alta aristocracia europeia, pompons na cauda e na cabeça, pedicura para as unhas e tigelas azul e rosa com o nome, aterrou naquela casa, desconheço se por capricho da minha mãe, ou por delírio do velho.


A minha mãe dedicava-se, então, às lides domésticas: o cabeleireiro, as compras e as reuniões dos plásticos, levar os meninos à escola e bordar umas coisitas...
O outono viera(,) à altura(,) havia quatro estações. Fazia frio: duns novelos esmerou coletes às riscas castanhas, laranjas e amarelas para os bichos que, agora: à altura, mal pisavam a Praça do Bocage,
- Aí tem cocó!
(coquetes, mas bichos, é no cu dá, e nu resto: a  Pituxa com o cio e o Riquinho, cioso da febra e receoso dos vadios que a olhavam como carne de peru, cá de a montar em frente ao Zé da Mota, que o conjunto não trazia cuequinha)


Enfim,
Uma vergonha, se começávamos a partir a louça e a fugir, prudentemente, dos pais...
Duas semanas e
- Tenho outra surpresa para os meus amores...
Realizada, mostra as três camisolas, riscas iguais às dos bichos,
- Isto é para fazer conjunto...

Mau Maria, qual conjunto, já chega!
Recusámos, o meu irmão, o bonzão do costume, aceitou,
- Dá jeito, é bem quentinho !


Passeávamos aos fins de semana, afastados dos meus pais como convém, um taró de abrir greta, eu e a Paula a destoar do meu irmão aconchegado no riscado multicolor, em comunhão com o Riquinho e a Pituxa...







sexta-feira, 18 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 1996 - Histórias do Riquinho e a Pituxa: do Arco-da-velha, e do Meu Irmão.


Chegam à mesa histórias da infância: e a minha mãe, não se pode dar trela...



O núcleo familiar era constituído por sete elementos: os meus pais, eu e os meus irmãos, Paulo e Paula, e dois adotados de raça branca, que os tempos não eram para grandes misturas,

O Riquinho e a Pituxa, nomes originais, um casal de caniches com origem na mais alta aristocracia europeia, pompons na cauda e na cabeça, pedicura para as unhas e tigelas azul e rosa com o nome, aterrou naquela casa, desconheço se por capricho da minha mãe, ou por delírio do velho.


A minha mãe dedicava-se, então, às lides domésticas: o cabeleireiro, as compras e as reuniões dos plásticos, levar os meninos à escola e bordar umas coisitas...
O outono viera(,) à altura(,) havia quatro estações. Fazia frio: duns novelos esmerou coletes às riscas castanhas, laranjas e amarelas para os bichos que, agora: à altura, mal pisavam a Praça do Bocage,
- Aí tem cocó!
(coquetes, mas bichos, é no cu dá, e nu resto: a  Pituxa com o cio e o Riquinho, cioso da febra e receoso dos vadios que a olhavam como carne de peru, cá de a montar em frente ao Zé da Mota, que o conjunto não trazia cuequinha)


Enfim,
Uma vergonha, se começávamos a partir a louça e a fugir, prudentemente, dos pais...
Duas semanas e
- Tenho outra surpresa para os meus amores...
Realizada, mostra as três camisolas, riscas iguais às dos bichos,
- Isto é para fazer conjunto...

Mau Maria, qual conjunto, já chega!
Recusámos, o meu irmão, o bonzão do costume, aceitou,
- Dá jeito, é bem quentinho !


Passeávamos aos fins de semana, afastados dos meus pais como convém, um taró de abrir greta, eu e a Paula a destoar do meu irmão aconchegado no riscado multicolor, em comunhão com o Riquinho e a Pituxa...




quinta-feira, 17 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 1995 - Momentos Épicos.


Entra o Ben-hur em baixo: estivesse ligado e era paracetamol (Ben-u-ron).
Já vi este filme. E quando pensava que já tinha visto tudo, eis que chamo pelo intercomunicador-
- Greise Keli, gabinete 3, por favor!




quarta-feira, 16 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 1994 - O Filme Continua.



Ahahah




terça-feira, 15 de janeiro de 2019 0 comentários

Cena # 1993 - Tahiti: O Paraíso Existe! (Jornal Público, suplemento Fugas, 10.05.2014)




Magalhães, desejando a acalmia do oceano, nomeou-o Pacífico. O capitão Cook, desenhou a Polinésia, a Melanésia e a Micronésia, no mapa.
Saí da Austrália a vinte e três e aterrei no Tahiti a vinte e dois, mudança de fusos, parafusos a menos e fusíveis estourados.

É verdade: o paraíso existe, criou-o Taaroa, Bougainville transmitiu-o a Rousseau e o bom homem aqui tem as suas raízes, sou mais citadino e calma já eu tenho, Jean-Jacques e retour a la nature q.b., desculpa-me, amigo iluminado.
O festival Heiva exalta a cultura Maohi. Durante três semanas, os jogos tradicionais, as corridas de cachos de bananas e a dança convulsa ao batuque dos pahu, seduzem gentes, das Marquesas às Austrais, à capital.
Predominam as cores vivas, dos frutos e das vestes, no Marché du Papeete, regateia-se o peixe e o artesanato, no piso superior. Troco dinheiro no Boulevard Pomare, percorro a marginal e admiro os cones vulcânicos, de verde, impressionista, pincelados, de Marau, Aorai e Orohema e os iates que deixam a baía. Pico numa das roulottes, falta hora e meia e sobra-me tempo no Museu Gauguin, muita reprodução e obras menores, abraço o Raivavae para o boneco da sala.

Dez milhas separam o Tahiti de Moorea, o ferry deixa-me em Vaiare.
Paro no Rotui: jamais esquecerei os penhascos e a cratera do Mauaputa, as baías de Cook e do Opunohu e a fina linha que separa as águas turquesas da lagoa do azul oceânico!
Do bangaló, suspenso da lagoa, fixo-me nos peixinhos que, erráticos, pontilham os corais e as anémonas de laranja, vermelho, verde, azul e negro,
(lembrei-me do Peixoto, vinte mil léguas à volta do aquário redondo do meu quarto, estou fora, suicidou-se)
também os há palhaços e trombetas, listados a preto e branco com a cauda amarela e, limões, tigres e do recife, esqualos que mais parecem carros desportivos, disputando a forma mais aerodinâmica, com o radiador aberto, além da barreira coraliforme...
Tubarão ao alho, a vingança serve-se fria, o camarão com leite de coco, o noni e as cordas dos ukuleles, tudo se paga em muitos CFP (Confédération Française du Pacifique), já os primeiros exploradores se queixavam, explorados, do roubo e do calor húmido!

Fazer render o peixe, poucos o fizeram como Garrett; pouco mais há a (d)escrever, resta o sol e o mergulho. Tatuagem com uma piroga, no braço esquerdo, e um lagarto amarelo, tatuado, no direito, colar de hibiscos e conchas, deitei os búzios e já me fazia ao mar, de volta na Kon-tiki, protegido de Hiro, deus dos navegadores e dos ladrões, assim como o outro, roubam-me mas não têm para onde fugir...
Thor Heyerdahl teorizou que o arquipélago fora povoado por sul-americanos e propôs-se à travessia. Problema: embonar e calafetar a jangada, alguém tinha que lá ir abaixo... Duplo problema: os tubarões que, em águas abertas e escasseando a refeição, não recusam uma delícia do mar!
Os amigos são para a ocasião, solicitaram junto da Marinha americana que lhes cedeu a milagrosa tinta.
- E funciona?!
- Desconhecemos, vocês nos dirão!...

A vida é cruel, e uma epopeia de cem dias e cinco mil milhas vale menos que um cabelo e uma zaragatoa na goela: a ciência provou que o arquipélago foi povoado por gentes e animais do sudeste asiático...







 
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